Toffoli e o desmonte da Lava Jato: passado, decisões e o “inquérito do fim do mundo”
- Rogério Mazzetto Franco
- 22 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
O Supremo Tribunal Federal, mais uma vez, escreve um capítulo controverso na história recente da justiça brasileira. O ministro Dias Toffoli, nesta terça-feira, dia 15/07/2025, anulou todos os atos praticados pela Operação Lava Jato contra o doleiro Alberto Youssef, figura central do escândalo de corrupção que desnudou os subterrâneos do poder político e empresarial no Brasil. Não bastasse, em decisão paralela, o ministro Nunes Marques desempatou julgamento e também anulou as condenações de Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, homem de confiança de Lula e peça-chave no esquema de corrupção que irrigou campanhas e sustentou o projeto de poder petista.
A sucessão de decisões não pode ser lida isoladamente. Trata-se de uma engrenagem que, pouco a pouco, vem desmontando os alicerces da maior operação de combate à corrupção da história do país. E aqui é preciso destacar quem é Dias Toffoli. Antes de ocupar uma cadeira no STF, foi advogado do Partido dos Trabalhadores, assessor da liderança do PT na Câmara e advogado-geral da União no governo Lula. Sua trajetória política o vincula diretamente à legenda que mais foi atingida pelas revelações da Lava Jato. Não surpreende, portanto, que suas decisões, invariavelmente, tenham o efeito de desconstruir o trabalho de anos de investigação conduzido por procuradores e juízes que arriscaram suas carreiras para expor a corrupção sistêmica.
Mas Toffoli não se limita a anular condenações. Foi ele quem, em 2019, instituiu o chamado “inquérito do fim do mundo”, um processo sem precedentes, aberto de ofício, sem provocação do Ministério Público, e que, desde então, se transformou em instrumento político para perseguir adversários, censurar vozes críticas e intimidar opositores. Um inquérito conduzido e controlado pelo próprio STF, ao arrepio da Constituição e da lógica republicana de freios e contrapesos. Posteriormente, Toffoli transferiu a relatoria para Alexandre de Moraes, que radicalizou ainda mais a utilização do inquérito como arma política, restringindo a liberdade de expressão e expandindo os poderes do tribunal sobre a vida pública.
As decisões de Toffoli e Nunes Marques, portanto, não são pontuais: representam o fechamento de um ciclo de desmonte da Lava Jato. A operação que revelou a podridão do sistema, que levou à prisão figuras intocáveis e recuperou bilhões desviados, agora é reduzida a escombros, com seus principais atos anulados, seus protagonistas criminalizados e seu legado sendo apagado. O simbolismo é devastador: aqueles que antes eram réus condenados por corrupção hoje são reabilitados, enquanto os que ousaram enfrentá-los são perseguidos e silenciados.
O Brasil, mais uma vez, assiste ao triunfo da impunidade. O STF, que deveria ser guardião da Constituição, tornou-se, nas mãos de ministros como Toffoli, instrumento de revisionismo histórico e de restauração da velha ordem. Em vez de proteger a sociedade contra os corruptos, protege os corruptos da sociedade. O resultado é claro: a desmoralização da justiça, o descrédito das instituições e a sensação de que, no país, o crime compensa — sobretudo quando se está do lado certo do poder.




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