Por que tantas pessoas seguem a ideologia de esquerda mesmo quando ela não entrega o que promete?
- Rogério Mazzetto Franco
- 2 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A força da ideologia de esquerda não vem da capacidade de entregar resultados, mas da habilidade de construir uma imagem moral irresistível. Ela se apresenta como defensora dos fracos, dos excluídos e dos injustiçados. Com isso, transforma sua adesão em um gesto de virtude. Pouco importa se políticas inspiradas nessa visão terminam em estagnação, desperdício e ampliação de conflitos. A identidade política prevalece sobre a evidência. Quem adere acredita estar do lado certo, e essa sensação basta para manter a crença viva mesmo quando a realidade diz o contrário.
A esquerda opera com uma lógica simples: converte desigualdade em crime moral e se coloca como única instância capaz de absolver a sociedade desse pecado. Ao fazer isso, conquista não apenas apoio, mas obediência emocional. Muitos aderem não pelo conteúdo das propostas, mas pelo medo de parecerem insensíveis ao sofrimento alheio. A ideologia prospera porque domina esse mecanismo psicológico. Ela se torna um abrigo moral, não um projeto político sujeito a verificação.
Do ponto de vista prático, a esquerda promete resolver tudo por meio do Estado. Promete segurança, reparação, bem-estar e igualdade. Mas, para isso, exige um aparato público sempre maior, mais caro e mais presente na vida de todos. A expansão do Estado, porém, produz o oposto do que promete. Gera burocracia, ineficiência, captura do Estado por grupos organizados e uma dependência crescente de políticas que nunca resolvem o problema que justificou sua criação. O fracasso se transforma em justificativa para ampliar ainda mais o poder estatal. E o ciclo se repete.
A adesão persiste porque a ideologia oferece explicações prontas para qualquer contradição. Se algo dá errado, a culpa nunca é da ideia, mas de forças externas: elites, mercado, conservadores, sabotagem. Essa fuga constante da responsabilidade protege o ideal, ainda que destrua a confiança na realidade. A estrutura retórica está desenhada para garantir que a utopia jamais seja responsabilizada por seus próprios efeitos.
Há um fator cultural igualmente decisivo. Nas universidades, na mídia, nas artes e em boa parte das instituições urbanas, a visão de mundo da esquerda é tratada como evidência de sensibilidade e sofisticação. Quem não a acompanha é rapidamente colocado na posição de alguém atrasado, frio, ignorante ou reacionário. Isso cria um ambiente de conformidade que dispensa análise e substitui o debate por vigilância moral. Assim, a ideologia se espalha mais por pressão simbólica do que por persuasão racional.
No fundo, a esquerda sobrevive porque promete aquilo que ninguém pode entregar: um mundo sem conflito, sem hierarquias, sem frustrações e sem desigualdades. É uma fantasia politicamente conveniente e emocionalmente sedutora. Enquanto houver quem prefira essa fantasia aos limites da vida real, a ideologia continuará avançando. Não porque funciona, mas porque oferece uma fuga. Uma fuga da responsabilidade, da complexidade e da maturidade política.
A esquerda se sustenta não nas consequências de suas ações, mas na narrativa que construiu sobre si mesma. E enquanto essa narrativa continuar a soar mais confortável do que a verdade, haverá quem a siga, mesmo que ela produza exatamente o contrário do que promete.




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