O Poder, a Justiça e a Gravidade do Crime
- Rogério Mazzetto Franco
- 3 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de fev.
A força de uma instituição se revela pela confiança que a sociedade deposita nela. O Judiciário subsiste como instância última de imparcialidade. A quebra dessa percepção destrói a ideia de justiça como fundamento da vida comum.
Nesse ponto a relação entre o crime organizado e familiares de ministros das cortes superiores assume peso político incontornável. O problema ultrapassa contratos e honorários. O centro da questão reside no símbolo. A política se move por símbolos e eles moldam a confiança coletiva.
O caso do filho do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski atuando como advogado de empresa investigada por esquemas bilionários ligados ao PCC e o caso da filha do ministro do STJ João Otávio de Noronha cujo escritório recebeu valores elevados de empresa sob investigação da Polícia Federal expõem o núcleo da crise institucional brasileira. A confusão entre legalidade e legitimidade domina o cenário. A ausência de crime não elimina a sombra. A sombra corrói.
A filosofia política afirma que a lei é pacto moral. Montesquieu advertiu que a corrupção nasce quando se perde o espírito das leis. Alexis de Tocqueville ensinou que a força das democracias repousa nos costumes que sustentam suas regras. A proximidade entre investigados e familiares de magistrados destrói a liturgia da Justiça e dissolve a crença na igualdade perante a lei.
O Brasil vive a substituição da moral pública pela lógica privada da conveniência jurídica. O efeito é devastador. A lei reduzida à formalidade abre espaço para a circulação natural do crime organizado dentro do sistema que deveria contê lo. O crime não precisa comprar juízes. Basta orbitar sobrenomes.
A Justiça exige visibilidade moral. A autoridade nasce da percepção de retidão. A técnica jurídica sem espírito ético se converte em engrenagem vazia incapaz de sustentar a ordem política.
A proximidade entre investigados e familiares de ministros configura erosão direta da confiança pública. A dissolução dessa confiança produz cinismo. O crime organizado reconhece nesse ambiente a brecha mais valiosa. A indiferença social diante do colapso silencioso da moralidade pública.




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