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Fachin e o espelho da democracia: quando o guardião se confunde com o protagonista

  • Foto do escritor: Rogério Mazzetto Franco
    Rogério Mazzetto Franco
  • 16 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 17 de fev.

No dia 12 de agosto de 2025, durante evento do Conselho Nacional de Justiça, o ministro Edson Fachin proferiu um discurso solene. Falou em erosão democrática e em ataques à independência judicial. A fala soou grave e cerimoniosa. O conteúdo carregou um peso específico. Partiu de um magistrado que expandiu de forma contínua o alcance do Judiciário para além dos limites constitucionais.


A trajetória define o sentido das palavras. Em 2021, Fachin anulou as condenações de Luiz Inácio Lula da Silva sob o argumento de incompetência territorial da 13ª Vara de Curitiba. A decisão devolveu direitos políticos e redesenhou o cenário eleitoral brasileiro. O efeito foi imediato e profundo. A democracia sofreu alteração por decisão judicial individual. A caneta substituiu o voto.


O histórico confirma a linha de atuação. Em 2010, Fachin apareceu em vídeo apoiando a candidatura de Dilma Rousseff. O episódio permaneceu como registro público de alinhamento político prévio à toga. A imagem consolidou uma percepção duradoura.


Na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, entre 2021 e 2022, Fachin impulsionou o Programa de Enfrentamento à Desinformação. Firmou parcerias com plataformas digitais e organizações não governamentais nacionais e estrangeiras. O Estado passou a definir conteúdos aceitáveis no debate público em associação com interesses privados e externos. Formou-se um aparato de controle narrativo.


Relatórios divulgados por Mike Benz apontaram vínculos dessas organizações com programas financiados por USAID e pela National Endowment for Democracy. A Justiça Eleitoral brasileira abriu espaço institucional para estruturas alinhadas à política externa americana. O dado é objetivo. As negativas não alteram o fato.


Críticos alertaram para o risco institucional. Juristas como Ives Gandra Martins apontaram a concentração de poder no Judiciário e a erosão do equilíbrio entre os poderes. O alerta permanece atual.


O paradoxo se impõe. Fachin denuncia ameaças à democracia enquanto o protagonismo judicial se consolida como fator central da crise institucional. A corrosão avança quando um poder se declara árbitro da política, guardião da verdade pública e regulador do discurso social.


A democracia depende de contenção institucional e fidelidade à Constituição. Discursos solenes não substituem limites. Quando esses limites são ultrapassados, o resultado surge de forma inevitável. Um poder se coloca acima dos demais e redefine o regime sem autorização popular.


Esse é o espelho evitado. Ao falar de erosão democrática, Fachin deveria encarar o peso histórico de suas próprias decisões. A democracia permanece vulnerável quando seus supostos guardiões assumem o papel de protagonistas políticos.



 
 
 

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