Desesquerdização: uma reconstrução institucional
- Rogério Mazzetto Franco
- há 11 minutos
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O Brasil de volta aos brasileiros
שִׁוִּיתִי יְהוָה לְנֶגְדִּי תָּמִיד
Há uma pergunta que toda sociedade livre precisa ter a coragem de fazer a si mesma: é possível recuperar a liberdade sem tocar nas estruturas que ajudaram a corroê-la? A História já respondeu que não.
A Alemanha do pós-guerra entendeu isso na prática. Vencer o regime nazista nos campos de batalha não bastou. Foi preciso desmontar a máquina do Estado que servia àquela ideologia e reconstruí-la para servir a todos os cidadãos. O Brasil precisa aplicar essa lição hoje. Durante décadas, os esquerdistas ocuparam de forma contínua e organizada os espaços estratégicos da administração pública, da educação, da cultura, do jornalismo, das rádios, das emissoras de TV e de diversos órgãos estatais. Essas estruturas deixaram de servir ao interesse público. Passaram a servir, de forma silenciosa e permanente, a um projeto de poder que nunca precisou vencer nas urnas para continuar mandando.
A desesquerdização é condição sine qua non para o retorno da normalidade institucional. Significa devolver ao Estado a neutralidade que ele nunca deveria ter perdido, impedindo que a ideologia de esquerda transforme instituições públicas em instrumentos permanentes de militância. O Estado não pertence a quem o ocupa. Pertence a quem o sustenta com seus impostos, seu trabalho e sua confiança. Quando a administração pública passa a servir a um projeto ideológico, ela trai a própria razão de existir.
Essa reconstrução se apoia em três pilares. Nenhum deles é retórico.
O primeiro é a legalidade sem exceções. A corrupção sempre foi um instrumento de dominação da esquerda, um mecanismo para comprar apoio político, financiar militância e perpetuar-se no poder à custa do dinheiro público. Por isso o combate à corrupção não pode ter cor partidária. Quem desvia dinheiro público deve responder à Justiça, sempre, com todas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. A impunidade ensina ao cidadão que a lei tem endereço, que existe uma justiça para quem está de um lado e outra para quem está do outro. Um povo que aprende essa lição para de acreditar nas instituições. E um povo que não acredita nas instituições fica à deriva.
O segundo pilar é uma educação que forma cidadãos, não militantes. A escola não existe para fabricar convicções prontas. Existe para dar às crianças e aos jovens as ferramentas para pensar por conta própria, comparar, questionar, analisar evidências e chegar às suas próprias conclusões. Os estudantes brasileiros aprendem, com razão, sobre os horrores do nazismo e do fascismo. Ninguém deveria esquecer aqueles crimes. Mas os regimes comunistas, responsáveis por dezenas de milhões de mortes, por gulags, por perseguição religiosa e por décadas de censura em todos os continentes onde foram implantados, recebem nos mesmos currículos um tratamento tímido, quase de rodapé.
Da mesma forma, os alunos têm o direito de conhecer, com a mesma profundidade, os grandes casos de corrupção protagonizados pelo esquerdismo brasileiro: o mensalão, o petrolão, o caso Master, o desvio do dinheiro dos aposentados no INSS. Omitir esses episódios do currículo não é neutralidade. É reescrever a história para proteger quem a cometeu. Essa mesma coragem de contar a verdade precisa se estender ao presente: os alunos devem saber que o Judiciário perseguiu manifestantes do 8 de janeiro e políticos de direita, e que canais de opinião independente foram silenciados, tudo com o aval do governo esquerdista. Uma educação que tem coragem de contar toda a verdade apresenta os fatos, todos eles, e confia que os jovens saberão tirar suas próprias conclusões. Conhecimento não é doutrinação. É a própria condição da liberdade.
O terceiro pilar é o controle institucional que vale para todos. Nenhuma autoridade do Judiciário, do Legislativo, do Executivo ou de qualquer outro órgão está acima da Constituição. Excessos de poder e desvios de finalidade devem ser apurados pelos mecanismos que a lei já prevê, e isso inclui levar à Justiça os funcionários públicos que atuaram em conluio com o governo esquerdista, usando cargos, verbas e estruturas do Estado para perpetuar um projeto político em vez de servir à população. Impunidade para esses agentes garante que o aparelhamento se repita a cada novo ciclo. Não é preciso inventar poderes extraordinários para defender a democracia. É preciso ter a coragem de aplicar a lei que já existe, sem medo e sem favor. A democracia não se protege abandonando seus próprios princípios diante da urgência do momento. Protege-se fazendo esses princípios valerem para todos, sempre, inclusive para quem exerce o poder.
Milhões de brasileiros já perceberam que algo não está certo. Instituições que deveriam ser imparciais falam sempre a mesma língua. Órgãos que deveriam servir a todos respondem sempre ao mesmo lado. Enfrentar esse problema exige método: reformas institucionais, transparência radical, mecanismos de responsabilização que funcionem para todos, sempre, sem exceção.
A desesquerdização é um projeto a favor do Estado, de um Estado que volte a pertencer a todos os cidadãos, sem privilégios ideológicos, sem aparelhamento, sem que governo e Estado sejam de novo a mesma coisa. Nenhuma democracia sobrevive saudável quando suas instituições deixam de servir a todos para servir, de forma permanente, a um único projeto ideológico de poder.
A pergunta que resta não é se concordamos com esse diagnóstico. É o que estamos dispostos a fazer a respeito dele.




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